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Entorno concentra taxas de até 27,1 homicídios, muito acima da média de Goiás

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Homicídios por 100 mil habitantes na periferia metropolitana de Brasília: Luziânia 27,1, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3, Valparaíso de Goiás 21,1, Águas Lindas de Goiás 17,5 e Distrito Federal 10,3. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública), com dados de 2024.
Homicídios por 100 mil habitantes na periferia metropolitana de Brasília: Luziânia 27,1, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3, Valparaíso de Goiás 21,1, Águas Lindas de Goiás 17,5 e Distrito Federal 10,3. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública), com dados de 2024.

As cidades goianas que fazem divisa com o Distrito Federal registram as maiores taxas de homicídios do estado, segundo o Atlas da Violência 2026 produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2024. Luziânia apresenta 27,1 homicídios por 100 mil habitantes, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3 e Valparaíso de Goiás 21,1, valores próximos do dobro da taxa de Goiânia e mais que o dobro da taxa do Distrito Federal, que registrou 10,3 no mesmo levantamento. O contraste ocorre enquanto o governador Daniel Vilela afirma que Goiás possui a melhor segurança pública do Brasil.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, mostra que Goiás registrou 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, índice superior ao de Santa Catarina, que apresentou 7,6, e ao de São Paulo, com 7,8. O Atlas da Violência 2026, que mede homicídios dolosos por 100 mil habitantes a partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS e de registros policiais, evidencia que a média estadual mascara diferenças internas acentuadas na região metropolitana que faz fronteira com Brasília.

Posição de goiás nos indicadores de segurança

No Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo CLP e pela Tendências Consultoria, Goiás ocupa a 10ª posição no pilar de Segurança Pública, com nota 43,4. O mesmo ranking coloca o estado em 23º lugar em qualidade da informação criminal, 19º em mortes a esclarecer e 17º em violência sexual. O indicador de qualidade da informação criminal avalia a consistência e a completude dos registros policiais e de saúde, enquanto o de mortes a esclarecer mede a proporção de óbitos classificados como de intenção indeterminada em relação ao total de mortes violentas.

A jornalista Fabiana Pulcineli apresentou esses números no podcast Papo Político nº 1032 da CBN Goiânia, com base nos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, do Departamento Penitenciário Nacional, do DataSUS e do IBGE.

Na segurança pública o Estado ficou este ano em décimo lugar, mas já tinha piorado muito em 2024 e ficou em 17º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

O Anuário e o Atlas utilizam metodologias distintas: o primeiro agrega mortes violentas intencionais, enquanto o segundo foca em homicídios dolosos. Ambos revelam que a posição de Goiás piora quando se consideram indicadores de qualidade do registro e de resolução de casos.

Responsabilidade pela segurança na divisa

O governador Daniel Vilela, em exercício desde 31 de março de 2026 e candidato à reeleição, afirmou em 7 de setembro de 2026 que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. Ronaldo Caiado, antecessor no cargo, é o autor da política de segurança que o atual governo apresenta como continuidade. Os dados do Atlas da Violência 2026 indicam que o problema se concentra nas cidades do Entorno que abrigam população que trabalha no Distrito Federal e que cresceu sem que a oferta de serviços públicos acompanhasse o ritmo.

Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. E é assim que vai continuar.

Daniel Vilela, governador de Goiás, em 7 de setembro de 2026

O Entorno concentra o maior número de ocorrências letais entre as unidades goianas, e a responsabilidade pela segurança pública nessas cidades é do governo estadual. A queda de letalidade observada em Goiás nos últimos anos não altera o fato de que as taxas das cidades vizinhas ao Distrito Federal permanecem elevadas em comparação com a média do DF.

Exigências sobre metas para o entorno

O 23º lugar em qualidade da informação criminal e o 19º em mortes a esclarecer reduzem a auditabilidade dos números produzidos pelo próprio estado. Qualquer avaliação de política pública depende de registros que permitam verificar a evolução dos casos e a classificação das mortes. O governo de Goiás não apresentou até setembro de 2026 plano específico para o Entorno com metas numéricas, prazos e indicadores publicados periodicamente.

O morador que reside em Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás ou Planaltina de Goiás e trabalha no Distrito Federal enfrenta diariamente a diferença entre as duas margens da divisa. A cobrança por plano com metas verificáveis e por melhoria na qualidade dos registros permanece como requisito para que a segurança pública na região possa ser avaliada com base em evidências consistentes.

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