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O amor no cérebro: lições da neurociência para relacionamentos e leis

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A neurociência tem revelado mecanismos cerebrais por trás do amor romântico, mostrando que ele ativa o sistema de recompensa, especialmente a via mesolímbica dopaminérgica, associada à motivação e ao prazer. De acordo com o neurocientista Fernando Gomes, autor do livro “Tratado sobre o amor: como a neurociência explica o maior sentimento da experiência humana e pode ajudar você a amar e ser amado”, lançado pela Editora Planeta, a fase inicial de flerte e encantamento envolve a área tegmental ventral e o núcleo accumbens, gerando uma sensação de “quero mais” semelhante a uma adição natural. Isso explica a inquietação, a obsessividade e a hiperatenção observadas em pessoas apaixonadas, com níveis elevados de dopamina e redução de serotonina. Estudos de neuroimagem confirmam que o amor reduz a atividade no córtex pré-frontal dorsolateral, diminuindo o julgamento crítico e facilitando a confiança e a vulnerabilidade.

Essa química cerebral não é apenas mental, mas também afeta o corpo, causando taquicardia, pupilas dilatadas e alterações no apetite. No entanto, a paixão é temporária, pois o cérebro não sustenta altos níveis de dopamina e noradrenalina por longo tempo. Com o avanço do relacionamento, neuropeptídeos como ocitocina e vasopressina promovem o apego e a estabilidade, envolvendo estruturas como o hipocampo e o córtex cingulado anterior. O ciúme surge como um alarme cerebral, ativando a amígdala e a ínsula, enquanto o término de um vínculo provoca um desmame neuroquímico similar à abstinência, demandando tempo para recalibração emocional.

Pesquisas indicam que o amor é influenciado por fatores como estresse, sono e experiências passadas, e sua compreensão pode se estender a interfaces jurídicas, como casamento, divórcio e parentalidade. Altas taxas de divórcio destacam que o amor biológico difere das estruturas sociais e legais, envolvendo questões financeiras, de saúde e direitos que frequentemente terminam em tribunais. Fernando Gomes sugere que avanços neurocientíficos possam esclarecer essas dinâmicas, ajudando a navegar renúncias e escolhas em contextos legais e sociais.

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