Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impõe tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, os produtores de tabaco no Rio Grande do Sul iniciam a colheita com expectativas animadoras para 2025. Com o clima favorável impulsionando a produção, o estado, que representa 42% da safra nacional com 303 mil toneladas no ano passado, vê uma oportunidade de repetir os bons resultados. Apesar do tarifaço em vigor desde agosto, que eleva os impostos sobre importações para níveis inéditos em mais de um século, os agricultores mantêm o foco no potencial da safra, destacando a resiliência do setor que sustenta milhares de famílias.
Os Estados Unidos, terceiro maior comprador do tabaco gaúcho, adquiriram 38,4 mil toneladas em 2024, gerando mais de US$ 245 milhões. Cerca de 70% dos embarques deste ano já foram concluídos antes da medida, mas 12 mil toneladas ficaram suspensas, representando historicamente 9% do volume exportado, conforme explica Valmor Thesing, presidente do Sinditabaco. No entanto, há sinais positivos: algumas remessas foram retomadas recentemente, e as empresas buscam realocar volumes em novos mercados, transformando o desafio em uma chance de diversificação.
Em municípios como Canguçu, na metade Sul do estado, mais de cinco mil famílias dependem dessa cultura, e produtores como Nilton Pereira celebram a qualidade da safra atual, que parece superior à anterior. Marcílio Drescher, presidente da Afubra, ressalta que, embora o tabaco burley possa ser mais afetado, o impacto futuro pode ser minimizado com estratégias inteligentes. Essa visão otimista reforça como o setor, mesmo diante de barreiras políticas internacionais, continua a inovar e prosperar, inspirando jovens empreendedores a apostarem na agricultura sustentável.