A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou na terça-feira (27) o projeto de lei que concede prioridade a doadores cadastrados de sangue, medula óssea, órgãos e tecidos nas campanhas de vacinação do GDF, mas a medida revela a persistente dificuldade em manter estoques adequados no Hemocentro. O texto, de autoria do deputado Pepa (PP), passou por dois turnos com 19 votos favoráveis e nenhum contrário, seguindo agora para sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). Apesar do avanço, especialistas alertam que a iniciativa chega tarde diante da escassez crônica de doações, especialmente de tipos raros, que compromete atendimentos diários.
Benefícios previstos no projeto
Além da prioridade na vacinação, o projeto garante preferência em atendimentos públicos e privados, exceto urgências e emergências, além de campanhas de conscientização. A proposta busca incentivar a doação como ato de solidariedade, porém enfrenta críticas por não atacar diretamente as barreiras estruturais que afastam potenciais doadores, como falta de tempo e ausência de políticas mais robustas de longo prazo. Com a sanção esperada, o Distrito Federal tenta reverter números preocupantes de doações que ameaçam o funcionamento do sistema de saúde local.
Essa é uma forma de incentivar a doação, que é um ato de solidariedade e que salva vidas. Muitas vezes, as pessoas não doam por falta de tempo ou por não terem um incentivo. Com essa prioridade, esperamos aumentar o número de doadores no DF
Pepa
Desafios para garantir estoques
A aprovação surge em meio a relatos de dificuldades recorrentes no Hemocentro, onde a demanda por sangue de tipos raros supera a oferta regular. O deputado Pepa destacou a importância da doação para o sistema de saúde, mas observadores apontam que medidas como essa podem não ser suficientes sem investimentos adicionais em infraestrutura e mobilização contínua. O governador Ibaneis Rocha agora decide se sanciona ou veta o texto, enquanto a população aguarda efeitos práticos que ainda parecem distantes.