O Governo do Distrito Federal (GDF) anunciou em janeiro de 2026 a criação de 15 cargos comissionados exclusivos para pessoas em situação de rua, além de determinar que empresas contratadas reservem 2% das vagas para essa população. A medida faz parte de um plano distrital de inclusão produtiva, baseado em diagnóstico técnico e integrado a programas como o RenovaDF. Iniciada recentemente, a iniciativa visa romper o ciclo de vulnerabilidade ao oferecer moradia, qualificação profissional, trabalho e suporte familiar, promovendo condições sustentáveis para saída da rua.
Detalhes do plano de inclusão produtiva
O decreto presidencial cria cargos nas secretarias do GDF, priorizando a inserção laboral de indivíduos em situação de vulnerabilidade. Além disso, a reserva de vagas em empresas contratadas garante oportunidades em Brasília. O plano, elaborado com base em mapeamento do perfil dessa população, aborda necessidades como moradia, qualificação, educação para filhos e até espaços para animais de estimação.
De acordo com o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, a abordagem evita remoções sem alternativas. Ele destacou que, só nesse período, mais de 200 pessoas foram empregadas, muitas delas emocionadas ao conquistar moradia e trabalho após meses ou anos na rua.
Não adianta retirar alguém de um ponto da cidade sem oferecer alternativa. A ideia do plano distrital é dar condições para que a pessoa possa sair da rua. — Gustavo Rocha
Mapeamos o perfil dessa população e o que faltava ser oferecido: moradia, local para pernoitar, qualificação, escola para os filhos e até espaço para os animais de estimação. Sem trabalho, ninguém rompe o ciclo da rua. — Gustavo Rocha
Abordagem personalizada e suporte social
A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, enfatizou a diversidade de histórias entre as pessoas em situação de rua, muitas marcadas por quebras familiares, saúde mental ou dependência química. Cada caso exige respostas específicas, combinando assistência social com inclusão produtiva para garantir dignidade e esperança.
Quando se fala de população em situação de rua, as pessoas tendem a colocar todo mundo em uma caixa só. Mas são histórias muito diferentes, muitas vezes marcadas por quebra de vínculo familiar, dificuldade de saúde mental ou dependência química. Cada pessoa precisa de resposta específica. — Ana Paula Marra
A assistência social garante o mínimo para que a pessoa tenha dignidade e esperança. Mas a inclusão produtiva é o que consolida o processo. Não existe solução simples: ofertar uma vaga de emprego não basta se a pessoa ainda não está estruturada para assumir essa responsabilidade. — Ana Paula Marra
Histórias de transformação
Beneficiados como Gilvandro de Araújo Soares, Josiris Lacerda e Aroldo Pereira dos Santos relataram mudanças significativas. Gilvandro alugou um apartamento com o primeiro salário, enquanto Josiris, após atendimento no Centro Pop e participação no RenovaDF, ganhou perspectiva em Taguatinga Norte. Aroldo superou fome e frio, agora com planos, estudos e trabalho.
No primeiro salário eu saí do abrigo. Aluguei um apartamento. Estou lá até hoje. — Gilvandro de Araújo Soares
Fui atendido pelo Centro Pop, conheci o RenovaDF e minha vida mudou completamente. Hoje moro em Taguatinga Norte. Tenho perspectiva, tenho um horizonte. — Josiris Lacerda
Antes eu era um homem sem perspectiva. Agora tenho planos, estudo e trabalho. — Aroldo Pereira dos Santos
Essas narrativas ilustram o impacto do plano, que busca não apenas assistência imediata, mas uma reinserção produtiva e sustentável na sociedade do Distrito Federal.