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UnB eterniza legado de Lélia Gonzalez com título honorário e consulta para renomear centro negro

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A Universidade de Brasília (UnB) está prestes a marcar um momento histórico ao homenagear Lélia Gonzalez, uma das maiores vozes do feminismo negro e do pensamento antirracista no Brasil. Nesta quarta-feira, às 17h, na sede da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), ocorrerá a cerimônia de outorga do título de Doutora Honoris Causa póstumo à historiadora, filósofa e militante, que faleceu em 1994. Essa iniciativa, impulsionada por pesquisadores como a mestranda em Filosofia Taynara Rodrigues e o professor Herivelto Pereira de Souza, reconhece o impacto transformador de Lélia em áreas como filosofia, antropologia e comunicação, onde ela articulou teoria e prática para combater o racismo e o sexismo. Taynara destaca que a homenagem não é apenas uma reparação histórica, mas um impulso para o futuro da produção intelectual negra, inspirando gerações de jovens a revisitar obras como “Racismo e sexismo na cultura brasileira” e conceitos como “amefricanidade”, que valorizam a herança africana nas Américas.

Paralelamente, a UnB abriu uma consulta pública para renomear o Centro de Convivência Negra (CCN) como Centro de Convivência Negra Lélia Gonzalez, transformando-o em um espaço de memória dedicado à pensadora. A proposta, apresentada pela diretora da Faculdade de Comunicação, professora Dione Moura, enfatiza o papel do CCN como bastião de resistência e acolhimento para políticas afirmativas, alinhando-se perfeitamente à trajetória de Lélia, fundadora de movimentos como o Movimento Negro Unificado (MNU) e o coletivo Nzinga. Dione Moura ressalta o simbolismo de celebrar uma mulher negra em um país que historicamente negou esse protagonismo, afirmando que o legado de Lélia ensina a afirmar identidades e lutar por equidade racial. O filho de Lélia, Rubens Rufino, diretor-executivo do Instituto Memorial Lélia Gonzalez, expressou orgulho pelas homenagens, que reforçam a militância cotidiana defendida por ela e inspiram jovens negros a se reconhecerem como protagonistas da história brasileira.

Essas ações da UnB convergem com outras iniciativas recentes, como o nome de Lélia no prédio da ONU em Brasília e um mural no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, perpetuando sua influência em espaços públicos. Para o professor Herivelto, conceder esse título a uma mulher negra é um gesto simbólico de enorme significado, convidando a juventude a se engajar em lutas coletivas por igualdade, como Lélia sempre defendeu.

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