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Estupro e tentativa de feminicídio em Brasília expõem falhas na segurança pública

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Há pouco mais de um ano, Rafael Silva Lima, de 19 anos, foi levado pela mãe para Brasilinha, em Planaltina (GO), supostamente por “dar muito trabalho”. Ele retornou ao Distrito Federal na última sexta-feira e, menos de 24 horas depois, cometeu um crime brutal: estuprou e espancou uma mulher de 47 anos sob o pilotis de um prédio na 411 Norte. A vítima, ferida, arrastou-se até a área comercial da quadra, onde foi socorrida por populares e levada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), sendo posteriormente transferida para o Hospital de Base, onde permaneceu internada até a última atualização. O crime, ocorrido por volta de 1h09 da madrugada, foi capturado por câmeras de segurança, mostrando Rafael atacando a mulher por cerca de 15 minutos. Segundo o delegado Marco Farah, da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), as imagens confirmam o estupro consumado e a tentativa de feminicídio. Rafael foi preso em uma invasão próxima à Universidade de Brasília (UnB), ainda usando uma camisinha e com itens sujos de sangue, como pulseiras, camiseta e bermuda. Ele responderá pelos crimes e deve passar por audiência de custódia.

O caso chocou a população brasiliense e destacou o aumento da violência de gênero na capital. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), até novembro deste ano, foram registradas 117 tentativas de feminicídio, superando as 102 de todo o ano de 2024. Os estupros somam 298 no período, contra 319 em todo o ano anterior. Moradores da 411 Norte relataram uma rotina de insegurança, com tráfico de drogas, roubos, furtos e presença constante de pessoas em situação de rua, agravada pela falta de iluminação pública e policiamento insuficiente. Vizinhos do prédio fecharam janelas durante o crime e não acionaram a Polícia Militar, que só foi informada às 5h30 por uma mulher que viu os vídeos. Comerciantes e residentes criticam o abandono da área, com invasões a lojas, assaltos violentos e medo constante, levando alguns a se mudarem. A Polícia Militar não respondeu a questionamentos sobre a insegurança na região até o fechamento da reportagem.

Um familiar distante de Rafael, morador da invasão, confirmou que o jovem retornou ao DF na sexta-feira e “já se meteu nessa bronca”, enfatizando que ele terá de pagar pelo crime. O incidente reforça debates sobre políticas de segurança pública no Distrito Federal, onde a ausência de chamadas imediatas à polícia e a demora no socorro expõem vulnerabilidades no sistema de proteção, especialmente para mulheres, em meio a estatísticas crescentes de violência.

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