Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (19) a negação de visto a Marlon Ochoa, membro do Conselho Nacional Eleitoral de Honduras, citando a demora na apuração dos resultados das eleições presidenciais realizadas em 30 de novembro. De acordo com um comunicado do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a medida foi tomada devido a ações que minam a democracia no país centro-americano. Quase três semanas após o pleito, ainda não há clareza sobre o vencedor, com 99,4% das atas apuradas indicando Nasry Asfura na liderança com 40,52% dos votos, seguido por Salvador Nasralla com 39,20%. As eleições foram marcadas por falhas no sistema de apuração, gerenciado pela empresa colombiana ASD, e por acusações de interferência externa e interna.
Acusações de fraude dominam o cenário político em Honduras, com denúncias vindas de múltiplos atores. A presidente Xiomara Castro afirmou que o processo foi marcado por ameaças, coação, manipulação do sistema de resultados preliminares e adulteração da vontade popular. O presidente do Congresso Nacional, Luis Redondo, ecoou essas alegações, apontando pressões de estruturas criminosas ligadas ao narcotráfico e violações à liberdade dos eleitores, e declarou que não validará o resultado. Candidatos rivais, como Salvador Nasralla e Rixi Moncada, também acusaram manipulações, enquanto o apoio de Donald Trump a Asfura adiciona uma camada de tensão internacional ao impasse.
Além da negação de visto a Ochoa, os EUA impuseram restrições a outro indivíduo não identificado, reforçando preocupações com a politização do Conselho Nacional Eleitoral, composto por representantes dos três principais partidos. Essas ações ocorrem em meio a um histórico de intervenções, incluindo o recente perdão concedido por Trump a um ex-presidente hondurenho condenado por tráfico de drogas, o que alimenta debates sobre influência externa no pleito.